quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O Tagarela - Edição nº 5

Editorial


O legado de um gênio
Dias antes de morrer com quase 105 anos, Oscar Niemeyer deixou, com seus próximos, uma receita para quem pretende viver muito e com saúde: comer de tudo, mas em pequenas quantidades; namorar bastante; degustar a leitura e fumar charutos com moderação; beber vinho tinto nos finais de tarde; ouvir música boa; conversar com amigos inteligentes; praticar a boemia com leveza d’alma e odiar profundamente ângulos retos e o capitalismo.
Se tivesse vivido em Alagoas, com certeza acrescentaria: tapar o nariz ao passar próximo à Assembléia Legislativa; mudar de calçada ao cruzar com gabirus e taturanas; não tomar banho no Salgadinho; evitar respirar os vapores da Braskem; desconfiar da lisura de certos prêmios entregues no final do ano; protestar contra o trabalho escravo nos canaviais e vociferar diante da truculência dos “coronéis”. E isso tudo sem jamais perder a ternura.

Matéria especial


Federalização do IZP 
Mistério desvendado

Desde a semana passada, uma onda de boatos toma conta do IZP. A “Rádio Corredor” tratou de espalhar a informação segunda a qual o Instituto seria federalizado por conta de uma suposta parceria com o Instituto Federal de Alagoas (IFAL), antigo CEFET.
Há quase dez dias grupinhos de servidores se reúnem para discutir a novidade. Uns dizem que está tudo certo: “O IZP vai virar órgão federal”, já outros afirmam que tudo não passa de especulação sem pé e sem cabeça. Há, também, os otimistas, que já fazem as contas de quanto o salário vai aumentar quando os izepenianos forem transformados em servidores de dona Dilma.
Para acabar com a indústria do boato, O Tagarela foi direto ao ponto, entrevistando, na noite terça (4/12/12), o professor Sérgio Teixeira Costa, reitor do IFAL, que recebeu nossa equipe em seu gabinete, no bairro na Jatiúca. Confira a entrevista no vídeo abaixo e tire suas dúvidas.



Uma torre no meio do caminho

Talvez o maior obstáculo para que o IFAL firme parceria com o IZP é a torre de televisão. Inaugurada com pompa e circunstância em 2 de agosto de 2011 com a presença do governador Teotônio Vilela, a estrutura de quase cem metros instalada em frente à entrada da TVE, e que custou mais de 1 milhão de reais aos combalidos cofres públicos alagoanos, não passa de um grande e inútil elefante branco.
Segundo técnicos do IZP que preferem não se identificar, a torre já teria nascido troncha. “No dia da inauguração o transmissor utilizado era incompatível com aquele no qual a equipe havia treinado e se familiarizado”, diz um dos técnicos, “fazendo com que até hoje a TVE não consiga ser captada nem nos arredores do CEPA, onde esta sediada”.
No dia da inauguração, um “baba-ovo” de plantão assegurou ao governador que a TVE seria captada em 80% do estado. Entretanto o que se tem até agora é um sinal de TV que praticamente sumiu do ar. A TVE, canal 3 (aberto), não consegue ser captada na maioria absoluta dos bairros da capital e muito menos em outros municípios. Já o canal 6 (fechado), transmite o pior sinal das tevês fechadas, fato que dá à TV Educativa de Alagoas o jocoso título de a “A TV que ninguém vê”.
A torre, conhecida hoje entre os izepenianos como “Poleirão do Gonzalez”, em alusão ao seu idealizador – já que só é útil para os pássaros que lá fazem seus ninhos – pode ser a pedra no caminho para uma futura negociação entre o IFAL e o IZP.
“Quem, em sã consciência, vai querer negociar uma parceria que envolve transmissão de rádio e TV com um parceiro que tem equipamentos sucateados?”, pergunta um servidor que torce para que o IZP consiga sair das mãos do Estado e, assim, passar a existir para a população alagoana, onde mais de 75% das pessoas simplesmente desconhecem a existência da TVE.

A desgraça nossa de cada dia


A possibilidade de uma parceria entre o IFAL e o IZP acende no coração do servidor a esperança de que o Instituto, atualmente en-tregue às moscas pelo governo tucano, possa ser revitalizado, reequipado e modernizado. E isso não pode ser feito sem a capa-citação e a conseqüente melhoria salarial do servidor, que na gestão Téo Vilela vive de pires na mão.
Caso essa sonhada parceria ocorra, o caminho pela melhora salarial ainda é longo, devendo passar por convênios trabalhistas,  estabelecidos juridicamente por meio de um processo de negociação onde os servidores precisarão estar à testa das negociações.
Mas para que isso ocorra, o primeiro passo é que o servidor faça a lição de casa: é fundamental que a atual diretoria da Associação de Servidores (ATRIZP), atualmente comandada pelo cinegrafista João Luiz Valente, seja destituída por absoluta incompetência e ineficácia.
Motivo: Eleita em 15 de março do corrente ano, a chapa Ação Legal (vencedora das eleições) e escandalosamente apoiada pela Diretora do IZP e o governo tucano, não moveu uma palha para melhorar a situação dos servidores.
Enquanto a grande maioria das categorias do funcionalismo estadual conquistou aumento salarial além do reajuste anual, a ATRIZP ficou inerte. Não promoveu, sequer, uma reunião para discutir salário.
Além disso, o João Valente encaminhou recente mensagem aos associados praticamente se auto-proclamando ditador vitalício da Associação, já que enfatiza que está modificando (sozinho) o Estatuto da entidade para perpetuar-se no poder, e mexendo no projeto PCC sem a participação da Assembléia, que é a instância soberana dos associados.
Mas é importante que todos saibam que a oposição, representada pelo Grupo Novos Rumos, está atenta e acompanhado todos os passos do nosso “Mussoline de Padaria”, devendo agir no momento oportuno. 

Fogo amigo

Uma presidenta para o IZP?

Em recente visita a Maceió, Paulo Rubim, ex-secretário estadual de Defesa Social, revelou ter sido convidado por Téo Vilela a voltar para Alagoas, onde assumiria uma assessoria especial.
O delegado federal aposentado agradeceu, mas declinou. Disse que apesar de ter grande apresso pela terra de Graciliano e Marta, um dos obstáculos para sua volta ao Estado é o trabalho de sua esposa, a jornalista Beatriz Azevedo (ex-TV Gazeta), atualmente funcionária da RBS-TV, de Florianópolis, onde o casal reside.
Mas o governador teria insistido: “Não tem problema, peça a ela que se demita que eu a nomeio presidenta do IZP”. Rubim ficou de consultar Beatriz e dar a resposta mais tarde.  
Coincidência (ou não), o certo é que a Casa Grande deu ordens expressas para que, na quarta-feira (27/11) – aniversário de morte do senador Teotônio Vilela (pai) – a Educativa FM executasse durante toda sua programação a música “Menestrel das Alagoas”, interpretada por Fafá de Belém.
A overdose “babaovística” saturou os ouvintes, que, com razão, ligaram reclamando.

A Difusora definha

Há dois anos, a Diretoria do IZP anunciou a compra de um novo transmissor para a rádio Difusora (AM-960), que deveria funcionar com 15 KW, permitindo uma transmissão límpida para quase todo o estado.
Contudo, a potência foi mantida em 3 KW, transformando a mais antiga emissora das Alagoas em uma retransmissora de chiados irritantes. Alguns funcionários mais antigos protestaram.
Depois de muita luta, conseguiu-se que a potência fosse aumentada para 7KW. Porém, a falta de um funcionário para monitorar o transmissor vem provocando perigosas oscilações que pode fazer com que ele entre em colapso irreversível.
Abandonado no meio do nada na parte alta da cidade, teme-se que o equipamento público comprado com o dinheiro do povo possa ser roubado a qualquer momento.

Motel a céu aberto

A lua cheia do dia 30 de outubro parece ter inspirado um jovem casal a transar freneticamente na cabine de uma caminhonete Fiat preta. Até aí nada de mais. Afinal, quem, entre os normais, já não se entregou a esses prazeres da vida, principalmente tendo como testemunha uma linda lua boiando no céu tropical de Maceió.
Porém, o que chama a atenção é o local escolhido: o páteo interno do estacionamento do IZP. Enquanto um show rolava ao lado (no Linda Mascarenhas), os artistas do sexo, sem dar bola a quem passava, mandavam ver em seu espetáculo particular.  
Com as portas do carro abertas, a performance do casal atraiu mais público do que os atores que estavam no palco do nosso glorioso teatro.

Folclore izepeniano

Durante o andamento de um trabalho para um programa da TVE, uma servidora comunicou ao motorista que a transportava que por estar atrasada para um compromisso urgente, precisava trocar, no carro, a blusa que vestia. Pediu então que ele interpretasse o gesto com profissionalismo, já que a situação do momento assim exigia.
O motorista, figura conhecida por ser um velho protagonista de situações embaraçosas e hilariantes, não se fez de rogado e arrematou: “Não se preocupe companheira, eu já fui funcionário de cabaré. Estou acostumado com essas coisas!”

Implosão no nascedouro

Com os diretores das respectivas emissoras colocados à margem do processo, a Casa Grande instituiu, no início de novembro, uma “Comissão de Notáveis” com a finalidade de reestruturar a programação dos três veículos da Casa. Formada por figurinhas carimbadas do “esquemão”, e sem a mínima noção sobre o que é produzido pelas rádios e pela TV, a dita Comissão se autodestruiu, queimada pela fogueira das vaidades.

Perdeu a boquinha

Certo apresentador, de certo programa chapa-branca da Educativa FM e da TVE, que utiliza este veículo público de comunicação como porta-voz da OAB/AL e da tucanagem local, fechou o bico para as graves acusações de supostos delitos cometidos pela derrotada  chapa apoiada pela gestão Omar Coelho, durante as recentes eleições da Ordem. Não adiantou de nada. Com a fragorosa derrota do seu patrão, ele perdeu a boquinha.

Destoando

O Programa “Revista Educativa”, conhecido entre os izepeniados como “Abobrinhas no Ar”, continua destoando completamente da programação histórica da Rádio Educativa FM, que ao longo de 25 de existência privilegiou a informação cultural séria, repudiando os releases partidários que hoje geram protestos de ouvintes atentos aos desvios de conduta na programação dessa que ainda (apesar do Abobrinhas) é uma referência nacional como emissora educativa. 

Incompetência ou falta de visão?

Não se sabe ainda se por incompetência ou absoluta falta de visão a Ascom do IZP não se deu conta de que há cerca de sete meses está no ar, pela Educativa FM, o programa Balada Instru-mental. Bastaria o fato de o programa ser apresentado pelo Carlos Bala (foto), um dos músicos mais conceituados no Brasil e no mundo, para ser motivo de orgulho para qualquer emissora. Sem falar que a audiência do programa é cada vez maior, como atestam as mídias sociais da Internet.
O Balada Instrumental vai ao ar todos os sábados às 17hs, com reapresentação aos domingos às 19hs. Ser ignorado pela Ascom do IZP apenas confirma que o Balada Instrumental foge completamente aos padrões da mediocridade incensada pela Ascom. Do contrário, só resta mesmo a opção pela incompetência na função ou o mau-caratismo de quem a exerce.

Eventos


Clarissa em tempo de ficção

Está marcada para terça-feira (11/12/12), no restau-rante-bar Maikai, no cora-ção do Setlla Maris, o lan-çamento da coletânea de contos “Para além da Leitura”. Organizado pela consagrada escritora Arriete Vilela, o livro reúne contos inéditos de nove estreantes na área da ficção, entre eles a jornalista e diretora da TV Educativa Clarissa Veiga.
Essa é a primeira experiência de Clarissa com a literatura. A moça já provou que é competente no que faz. A profissional que chegou na TVE sem experiência no setor, em pouco tempo se superou. Mostrando enorme capacidade em driblar as pedras do caminho, os boicotes e as injustiças, além da comprovada paixão pela coisa certa, fez com que ganhasse o respeito e o reconhecimento de todos no IZP.
O Tagarela deseja que o novo caminho escolhido lhe seja mais suave.

Confraternização

O Grupo Novo Rumos, que faz oposição à atual diretoria do ATRIZP, faz sua confraternização dia 21/12, sexta-feira, a partir do meio dia, na chácara do cantor Geraldo Cardoso, no Tabuleiro dos Martins.
A contribuição individual é de 30 reais e deve ser paga até 19 de dezembro ao André “Zangado” Feijó na TVE, à tarde. Outras informações pelo fone: 9616 16 17.
Por uma questão de honestidade, é importante informar que as atrizes e modelos Viviane Araújo, Iris Valverde, Juliana Paes e Cléo Pires avisaram que por conta de compromissos anteriormente assumidos, não poderão participar do evento.
Entretanto, não vamos deixar os convidados na mão. Como principal atração teremos um grupo de batuque de segunda linha, formado por Zinho Pinto, Celso Leite, Jinaldo Viana e outros cantores injustamente discriminados pela mídia nacional.

Reportagem


Centro de confusões Ruth Cardoso

* Mácleim Damasceno

Em meio ao maniqueísmo estabelecido entre prós e contras, apareceu até a sugestão de um modelo de gestão compartilhada para o complexo.

Apesar de sua linha arquitetônica de gosto duvidoso, o Centro de Convenções de Maceió – atualmente administrado pela Secretaria Estadual de Turismo (Setur) – é um dos mais importantes legados deixados pelo governo de Ronaldo Lessa. Inaugurado em 2005, o Centro de Convenções de Maceió foi construído com R$ 34 milhões de verba pública e, entre seus equipamentos, abriga uma jóia preciosa e de altíssima relevância para a produção cultural caeté, o Teatro Gustavo Leite. Alegando prejuízo na manutenção do local, o Governo quer agora terceirizar o espaço.
Para desgosto de uns e alvíssaras de outros, uma licitação deve ser publicada para a escolha da empresa que vai administrar o complexo. Fala-se, a boca-miúda, que um grupo estrangeiro já seria o favorito na disputa da galinha dos ovos de ouro – pelo menos na visão daqueles que não fazem parte do governo neoliberal, sempre sequioso por privatizações e terceirização. Sendo assim, criado o impasse, O Tagarela foi ouvir opiniões diversas e, na maioria das vezes, contraditórias sobre a pendenga. Alguns produtores culturais, e empresários da cadeia produtiva de eventos em Maceió, reagiram com indignação e tentam se articular para junto ao Ministério Público Estadual brecar o intento governamental.

Licitação direcionada

Se, de fato, houver a terceirização da administra-ção do Centro de Conven-ções de Maceió, já se sabe que será pelo período de 25 a 30 anos. Acredita-se que tudo está sendo direcionado para uma empresa de fora do País que já coordena em torno de 70 Centros de Convenções no mundo inteiro. Sabe-se que esta empresa tem toda a infraestrutura de que precisa. O que significa desde montadora, passando pela parte técnica, até o bufê. De acordo com alguns produtores que atuam no mercado local, caso venha a ser feita a terceirização para tal empresa, possivelmente, a consequência imediata será a quebra de cerca de 300 empresas que empregam até 3 mil pessoas que trabalham para os eventos do único equipamento deste tipo no Estado. “Só há prejuízo no Centro de Convenções quando o Estado promove seus eventos lá. Porque o Estado não paga nada. Só fazem coisas para acabar com o Estado. Vão é vender o Centro de Convenções! Por que não deixa na mão do Maceió Convention & Visitors Bureau? A gente acredita que tem alguém ganhando dinheiro com isso”, disse Armando Garcia, da ProStand, produtor de eventos desde1995.
Na outra ponta desse novelo a secretária-adjunta do Turismo, Raquel Tenório, afirma que as críticas à terceirização da administração do Centro de Convenções viriam de pessoas que "pensam no próprio umbigo" e receberiam benefícios irregulares por conta do atual modelo de gestão das chamadas pautas, que são os valores pagos para o uso do local para eventos. Apesar de não dar nome aos bois, pelo histórico, provavelmente, ela se referia à produtora Sue Chamusca, que sempre realiza eventos no lo­cal e foi a primeira que chiou e divulgou uma nota alegando que a medida iria afetar negati­vamente vários segmentos da eco­nomia do Estado que lidam com a realização de eventos e produção cultural.

Outro lado da moeda

Diametralmente contra aos que criticam a terceirização do Centro de Convenções de Maceió, o produtor cultural e presidente da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (Asfopal), Keyler Simões, quando perguntado sobre o assunto pelo O Tagarela, disse: “Sou favorável a essa terceirização diante das práticas imorais e desprezíveis de certos produtores que se valem de amizades no governo para sugar do Centro de Convenções, tanto que conseguem para si pautas gratuitas e a regalia de bloquear outras pautas antes e depois de seus eventos, para que ninguém mais alugue, por exemplo, o Teatro Gustavo Leite. O que impede que o Centro de Convenções arrecade por dias, só para benefício de poucos. Com a terceirização isso acaba, e não é uma invenção alagoana. Pelo país afora os Centros de Convenções só conseguem funcionar bem desta forma. De que forma poderíamos ter o de Maceió totalmente climatizado? Só assim. Até hoje, o Centro de Convenções de Maceió não possui uma equipe própria de trabalho, ou seja, na mão do estado ele não vingará.”
Ainda de acordo com Keyler Simões, no processo de licitação a empresa tem que comprovar experiência neste tipo de gestão, daí muita gente "acusar" o Governo de dirigismo. Ele diz não acreditar, “pois em Alagoas não temos ninguém com essa experiência. Realmente, acredito, só é contra esse processo quem pretende ou está acostumado a utilizar os aparelhos públicos com grandes descontos de pautas ou até mesmo de graça, pois para quem trabalha corretamente e paga pelo que contrata não deve fazer diferença ser estatal ou privado.”

Pautas inviáveis

O fato é que o altíssimo valor da pauta cobrada atualmente, pelo Teatro Gustavo Leite, inviabiliza 99% das produções locais a se utilizarem daquele equipamento cultural. Além disso, apesar do teatro ser excelente, falta estrutura de som, por exemplo. A pauta é muito cara, o aluguel por um dia custa R$ 5 mil. Será que sob nova administração, terceirizada, esse valor da pauta será reduzido? Será que as produções locais poderão ter acesso a um equipamento público, construído com dinheiro público, que a priori deveria ser democraticamente utilizado? Será que a situação atual não se trata apenas de mais um caso da péssima administração e incompetência do governo Téo Vilela? Essas questões são pertinentes e deveriam ser esclarecidas pelos gestores do complexo, em resposta aos verdadeiros donos do Centro de Convenções de Maceió: a população alagoana.

Gestão compartilhada

Como tudo tem uma terceira via, em meio ao mani-queísmo estabelecido entre prós e contras, o produtor cultural Gustavo Alcântara sugere o modelo de gestão compartilhada e até mesmo a mudança da natureza jurídica do local, para facilitar seu uso sustentável e democrático. “O governo poderia nomear um conselho gestor, formado por entidades que trabalham com a produção de eventos, para administrar o Centro de Convenções. O equipamento deveria ter um CNPJ, ser transformado em pessoa jurídica, para ter maior autonomia. Tudo hoje é muito burocrático. Para realizar melhorias, a depender do custo do serviço, é necessário fazer licitação. E isso demora muito”, afirma o produtor cultural, que cita a experiência do Riocentro, no Rio de Janeiro, para dimensionar os riscos que a cadeia produtiva de eventos em Maceió corre com a idéia de terceirizar o Centro de Convenções. “Vi numa matéria que a quantidade de eventos do Riocentro caiu. A empresa que comprou o local prioriza espetáculos mais lucrativos. A informação é extra-oficial, mas importante”.

* é jornalista e músico

Artigo


 Enxaquecas de aposentado

* José Maria Oliveira

Faz quem pode, obedece quem tem juízo (?!) - Aos que assim pensam, e na tribo, há os que adoram a seita do amém (por motivos óbvios), declaro minha ojeriza a esse infame teorema/tema/hino e o escambau (wisk and bowl, em inglês) quanto à sua aplicação na prática, em português: um monte de coisas, de besteirol, inclusive. Mas, ‘falando sério’ (que Roberto Carlos não me cobre direitos autorais), este falastrão que aqui escreve (pra quem, não sei), está quase encostando seu barco de vida profissional, e já extrapolou os 40 anos de mares navegados e, podem crer os incrédulos, remando além de Tabrobana. Quem teve a acuidade (argh!) de, nas bancas escolares, ler Camões (por obrigação de cumprir o dever escolar) deve estar lembrado do poema Os Lusíadas. E, se ‘tanto me ajudar o engenho e arte’, estarei tagarelando por estas bandas até enfrentar os moinhos nem tão quixotescos assim da aposentadoria compulsória, ou seja, bicorado por tucanos, corvos e urubus de plantão, vestidos (aves se vestem de penas – pena de quem?) e democraticamente o convite para retirar-se sem direito a ouvir os Hinos Nacional/deAlagoas. Também, quem mandou contrariar? Nada de choro nem vela (vade retro!) nem de certificado – de quê? Se já não há mais garantia - produto fora da validade. Valeu: 48 anos na batalha pela vida, ainda com conteúdo saudável, e com efeitos colaterais: 5 anos de faculdade não se sobrepõem 620 horas de curso. Nem o curso do rio Mundaú (onde tanto me banhei com a Nega Fulô!) vale. Calma amigos, ainda tenho alguns meses para destilar minhas enxaquecas nos fígados, rins, corações e mentes dos muitos que desfraldam bandeiras às mais diversas, desde que o barco que os leva aporte em porto seguro pelos menos por quatro anos. E o tal “faz quem pode, obedece quem tem juízo?” A esse exército do poder de plantão (não confundir com exército de Napoleão), respondo com Eduardo Galeano: “Os ninguém/que não são seres humanos,/são recursos humanos”... até o próximo voto. Na tribo, que me perdoe Milton Nascimento, não se guarda amigos a sete chaves, isto é, contrariando a canção: são colegas ‘simplesmente/e nada mais’! Também, quem manda nãos reverenciar El-Rei? Pra quê? Ele já tem bufões da corte até demais, e este escriba está mais para palhaço (Carequinha, Arrelia e tantos outros estão fora disso) que para comediante.  É Ivan Lins, esse será sempre o circo... de novo (nada). 

* Radialista da Educativa FM 

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